Meu irmão caçula!

Sou o filho do meio. Pensando bem, nem do meio. Sou o penúltimo filho de número par. Mas não posso deixar de invejar o caçula. Uma inveja do bem, mais admiração e respeito do que ciúme. O caçula é o que ficará mais triste quando a casa está triste, é o que ficará mais alegre quando a casa está alegre. É a tomada, o trinco, a aldrava, o último a deixar a mesa, o último a trocar de quarto, o último a sair da residência, o último a casar, o último a receber as más notícias e o primeiro a descobrir as boas. Não é o mais mimado, todos os demais cresceram muito rápido e ele foi o raro que permaneceu perto dos pais. O caçula é o mais ponderado, ordeiro, generoso. Limpa a sujeira e se cala quando não formou opinião. Escapa dos vícios dos mais velhos, tampouco faz de si uma virtude. É a vítima da piada, não o algoz. Não devolve a ofensa, guarda para adubo. O caçula é nostálgico, o que viveu nunca será suficiente para se convencer de vida. O caçula é o filho inesperado, o amor inesperado, a amizade inesperada. Não tem jeito de profeta, tem jeito de profecia. Seria o anjo da família se não houvesse castigo. Seria o anjo da família se houvesse tempo. O caçula não tem vergonha de amar a mãe. Tem disciplina de amar. A mãe envelhece perante os demais, não para o caçula. O caçula não permite o asilo. Pode ser homem feito que continuará o caçula. É ele que colocará uma coberta de noite quando a mãe dorme. É ele que vai se distanciar do grupo para colher amoras para a mãe. É ele que vai arrumar o computador da mãe quando os outros dizem que estão ocupados. É ele que virá de longe para os aniversários. É ele que telefonará aos seus irmãos perguntando se precisam de alguma coisa. A família desmorona, mas o caçula não. Recomeça dos escombros como um animal resistente. A vitória do caçula é vista como obrigação. O caçula não culpa os outros, culpa a si mesmo. Não corrige, passa a limpo. O caçula dá a mesada que recebe, reparte o salário que não tem. É o sótão, a vitrola, os móveis antigos, enxerga fantasmas, porém não delata o que vê. O caçula abraça como se fosse uma despedida. Chega a doer o abraço do caçula. Dor alegre de irmão que não quer se separar. O caçula é o mais fiel dos amigos, pois deve ter sido o único que conheceu realmente a solidão. Duvida até da morte para se aproximar um pouco. O caçula acredita em qualquer lembrança contada que tenha seu nome e desconfia de qualquer lembrança que partiu de sua memória. O caçula é dos filhos o que não se acostumou a nascer.
Fonte: Fabrício Carpinejar

Apesar dessas palavras não serem minhas, meu irmão caçula é pouco disso tudo… chegou um pouco tarde e sem ser programado, mas é a jóia que temos em casa, o melhor de nós, sem dúvida!
Gu
Parabéns para o Gu… meu irmãozinho que amo tanto e que nem sabe o quanto! Queria estar ai para te dar aquele abração e ir comer um pizza com você na Dona Veridiana 🙂

10 comentários em “Meu irmão caçula!”

  1. Linda homenagem!!
    Parabéns a seu irmãozinho. Que Deus o abençoe muito.

    A minha irmã caçula é a alegria da casa, mas é a que vai casar primeiro. Choro só de pensar….rsrs
    bjinhos

  2. Que bela homenagem, eu amei!!!
    Minha irmã caçula tbm tem muito desse texto, ela chegou sem ser programada, mas com certeza é o melhor de todos nós 🙂

    Bjão

  3. Nossa, nunca pensei muito nisso, Mirella.
    Realmente o caçula nunca é muito programado além de ser chamado de gravidez acidental e na maioria das
    vezes trás tantas alegrias pra familia até mais que os primeiros filhos. É a pura verdade.
    Mas Deus faz as coisas de forma muito programada.
    Voce bem pode ver pelo seu irmão! E pra voce especialmente, que está longe deve significar muito.!
    A distância faz a gente pensar em muitas coisas não é mesmo???
    Bjs

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