O tema desse mês do projeto Vida em TO, foi algo pensado e repensado por todas nós, resolvemos deixar as listas de lado, e fazer um tema bem pessoal e foi que surgiu a idéia de colocarmos em pauta o “momento que marcou a minha vida em Toronto”.

Quando o escolhemos, achei o tema lindo, mas na hora de sentar para escrever, a coisa complicou – não vinha nada na cabeça! Claro que tive vários momentos incríveis em Toronto, que inclusive já compartilhei aqui no blog Casal Mikix, mas na verdade, os momentos que mais me marcaram, foram aqueles que envolviam pessoas. Vou tentar me explicar…

Chegando em Toronto …

Chegamos em Toronto como residentes permanentes no ano 2000, eu tinha apenas 23 anos e o Kiko 27 anos. Eu praticamente não falava inglês e o Kiko se virava bem, mas nada como o dia a dia para trazer a fluência aos pouco. Eu estava naquele momento delicioso de eterno mundo novo – até hoje, esse meu jeito de curtir mudanças, ver sempre o lado positivo e me adaptar facilmente ao novo, me ajudou em todas as mudanças de cidades e países que fizemos até hoje.

Nos primeiros dois meses de Toronto, nos empenhamos em estudar inglês, fomos organizando uma nova rotina e o Kiko começou a procurar um emprego. Como meu inglês ainda era muito fraco, eu sabia que minha função era focar nos estudos de ESL (English as Second Language) e não me preocupar com um emprego, pelo menos nesse primeiro momento.

Para nossa alegria, em 30 dias, o Kiko já conseguiu um emprego na mesma área que atuava no Brasil, analista de sistema SAP, e esse trabalho nos garantiu uma certa estabilidade para buscar um aluguel de longo prazo e saber que nossa vida estava realmente começando no Canadá!

Naquela época, a maneira mais fácil de procurar alugueis em toronto era por corretoras de imóveis, indicação de amigos, anúncios em jornais ou revistas distribuídos pela cidade. E foi através de uma dessas revistas, que descobrimos duas townhouses (casas germinadas) que estavam sendo anunciadas em Oakville, uma das cidades da Grande Toronto que amamos de paixão desde que visitamos pela primeira vez.

Oakville, ON, Canada

Uma das ruas de Oakville depois da neve … não foi essa rua que morei quando cheguei, tá?

Uma anjo chamada Carol …

A Carol, era a dona de ambas as casas e nos levou para visitá-las, tenho até uma história engraçada de uma dessas casas nesse link. Escolhemos a que mais combinava com a gente e duas semanas depois estávamos de mudança com apenas nossas 4 malas e a esperança que o caminhão da IKEA não nos esquecesse, pois tudo o que precisávamos para dormir e sentar, estava nele 🙂

A Carol era uma grande handy man, expressão que usamos para pessoas que sabem arrumar coisas de casa. Ela me ajudou a instalar cortina e me deu várias dicas, mas veja bem, eu entendia cerca de 20% do que ela dizia, pois meu ouvido ainda não estava adaptado ao inglês rápido do dia a dia… mas entrei na onda do “vamos que vamos”, que as coisas vão se ajeitando.

O Kiko começou a viajar a trabalho logo que pisou no escritório, ele ia para Ottawa todas as semanas, mal sabíamos que lá seria nossa morada por quase 5 anos. Eu ficava sozinha numa boa, mas o Kiko obviamente estava preocupada em me deixar em casa sem me virar totalmente com o inglês e em um país novo.

E foi assim, que sem eu saber, ele ligou para a Carol e pediu se ela podia passar pela casa um dia ou outro para ver se eu estava ok. E então recebia ligação dela toda semana, o que para mim era um martírio, pois se não a entedia ao vivo, imagina pelo telefone (risos), a gente mais ria que se entendia, mas a cada telefonema, eu aprendia mais e passou a ser uma delícia esperar ela ligar para treinar o inglês e ouvir sua voz.

Ela realmente era uma pessoa muito bacana; o primeiro cheque que mandei do aluguel, o preenchi errado, não tinha ideia que a ordem do nome e números era diferente do que estava acostumada no Brasil (eu era muito inocente…), ao invés dela simplesmente ligar para o Kiko pedindo urgente o novo cheque, pois obviamente já tinha passado do prazo, ela me ligou e disse que iria vir em casa me ensinar como preencher e como funcionava tudo relativo a cheques e VOID cheque, assim, ninguém me passaria a perna 😉 .

Lendo tudo isso, você deve estar se perguntando, mas Mirellita, bastava olhar no google como faz isso, não é? Hoje é exatamente assim, mas no ano 2000 (17 anos atrás), não tinha tanta informação na internet para ajudar, então a coisa era mais roots (risos). Não quero dizer que naquela época era mais difícil, somente os desafios que eram diferentes.

Enfim, como vocês podem ver, esses primeiros meses de Canadá, foram momentos preciosos; conheci uma nova maneira de viver, aprendi uma nova língua e acima de tudo, descobri que tudo é possível quando anjos nos ajudam, sem o menor interesse de levar nada em troca. E por essas e por outras que admiro muito o povo canadense e escolhi pessoas para representar um momento que me marcou minha vida em Toronto.

Alugar em Toronto

Os canadenses não são pessoas frias …

E só para complementar esse post que já está ficando um livro (risos), muitos me perguntam se os canadenses são pessoas frias, eu sempre digo que não, pois veja bem, eles não são como os brasileiros que numa paradinha no ponto de ônibus já expõem toda sua vida, mas eles são pessoas, que quando você precisa, eles estarão lá para ajudar.

Um exemplo bem típico, são amigos e familiares relatarem que durante a viagem e se vêm perdidos com os mapas ou coisa assim, e são abordados por locais, perguntando se precisam de indicação. São coisas simples, atitudes leves, mas que faz você entender e apreciar o senso de comunidade do canadense e que nós, imigrantes, vamos aprendendo a ter ao longo de nossa jornada no Canadá…
Casal Mikix

 

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E visite o blog das outras meninas que fazem parte desse projeto:

Mariana Cimini: Virei Canadense
Carina Iani de Barros: Outside Brazil
Gabriela Ghisi: Gaby no Canadá
Livi Souza: Baianos no Polo Norte