Quando decidi viver uma vida longe das minhas raízes, uma das lições mais importantes que aprendi é sobre a insignificância de ser imigrante, ou na verdade, a insignificância de ser eu mesma.

Sério, depois de tantos anos longe da minha vidinha no Brasil, vira e mexe me pego pensando, que apesar de eu amar minha vida nômade, de adorar minha família que deixei no Brasil, de ter amigos em vários lugares do mundo e saber que independente de onde for, eu sempre vou me adaptar e fazer parte de um novo grupo; a cada mudança de cidade ou país, percebo, mais uma vez, que o mundo acontece (muito bem) sem mim…

Sim, eu sei que isso parece papo de leonina que se acha muito especial para se importar com seu papel no mundo, mas eventualmente, acredito que todas as pessoas que um dia decidiram mudar de vida e ir viver longe daquele ambiente que viveu e cresceu por toda uma vida, vai perceber que o mundo simplesmente acontece com ou sem ela.

A ideia não é dizer que as pessoas vão simplesmente nos esquecer como se nunca tivéssemos existido, pois a gente sabe o quanto é gostoso voltar para o Brasil e ter aquela recarga de “back home”, mas é possível notar também, a “readaptação” de quem ficou; desde aos novos amigos que foram chegando na sua turma e que você não conhece, até perceber que a gente simplesmente não sabe o nome do novo artista da novela das 8.

Essa percepção é mais visível no primeiro ano de vida expatriada, pois as pessoas que ficaram, no início sentem muita saudades das conversas, da companhia, das festas, da presença ou do que quer que seja, mas aos poucos, a vida vai tomando rumo e um novo ciclo vai se formando, para ambos os lados. A diferença é que para quem vai, o “novo mundo” demora um pouco mais para entrar nos eixos e é possível assistir de camarote aquele mundo que ficou se readaptando sem ela… e por isso que as vezes rola aquela depressãozinha e o medo se a decisão tomada foi certa, pois além de tudo virar de cabeça para baixo, há também a percepção que você não faz tanta falta assim (risos).

Mas calma, perceber a insignificância de ser imigrante não é ruim, pelo menos para mim, foi e continua sendo um aprendizado incrível, pois eu passo a valorizar momentos que antes não dava tanto valor, especialmente quando estou perto de pessoas importantes na minha vida..

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